quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Aos 180 anos, Paróquia de São Joaquim e Sant'Ana em Garopaba espera por reformas




Aos 180 anos, Paróquia de São Joaquim e Sant'Ana em Garopaba espera por reformas


Guilherme Lira | guilherme.lira@diario.com.br


Na igrejinha de paredes descascadas, em que Jesus é de madeira e Nossa Senhora dos Navegantes está sobre um barco à esquerda do altar, quem manda é Maria José da Silva.

Mas o que a guardiã das chaves da Paróquia de São Joaquim e Sant'Ana, em Garopaba, tombada pelo Patrimônio Estadual, queria mesmo era ter o poder de começar uma reforma urgente no local.

A restauração é necessária para que a estrutura de 180 anos não desmorone. Na torre do sino é possível ver o lado de fora pelas rachaduras que se formaram nas paredes.

Sentadinha numa cadeira de madeira e palha, Maria José recebe com sorriso quem quer conhecer a igreja, interditada há cerca de dois anos. O balanço do sino teria comprometido a estrutura da torre. Mas para ela, a coisa não é tão simples assim:

— Percebi que a umidade do mar também comprometeu as paredes, por isso, está afundando.

Dona Maria dedicou 29 dos seus 42 anos à paróquia - no alto do morro e voltada para a praia. Ela passou a trabalhar no lugar que frequenta desde criança por uma promessa que fez para se curar das crises de epilepsia. Perguntada se valeu a pena e se está curada, ela é direta:

— Não, mas se você quer saber, estou satisfeita.

Deinfra já conferiu o local

Os cuidados de dona Maria não diminuíram nem quando recebeu os funcionários do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) que foram verificar as condições da igreja e montar uma planta do local. Segundo o diretor de Cultura de Garopaba, Wagner Nascimento, ela deixou bem claro que não era para mexer nas imagens dos santos.

E quando é para recordar um momento marcante em tantos anos na igreja, ela não pensa duas vezes:

— A comemoração de 150 anos da paróquia. Foi uma festa linda. Ficamos um ano inteirinho arrecadando mantimentos para fazer um bolo montado sobre um caminhão. Uma coisa dessas a gente não vai ver mais. Quem sabe, no dia da reforma - lembra com os olhos cheios de lágrimas.

Com um tom um pouco arteiro, desafiou a reportagem e propôs para o fotógrafo Alvarélio Kurossu:

— Agora, se você tiver coragem, pode subir até o sino.

Ela aproveitou para matar a saudade daquele som: momentos depois que os dois subiram as escadarias que levavam até o sino, do portal da igreja, foi possível ouvi-lo tocar. Depois disso, o reencontro com Maria José da Silva, foi o reencontro com uma mulher cuja satisfação era impossível disfarçar, tamanho o sorriso que estampava em seu rosto.


Falta verba

O prefeito de Garopaba, Luiz Carlos Luiz, afirmou que foram orçados cerca de R$ 100 mil para uma obra emergencial de sustentação da torre do sino e de pintura externa "provisória", mas esse dinheiro ainda não foi levantado. De acordo com o diretor de Cultura, Wagner Nascimento, o valor deve ser conseguido por meio de leis de incentivo à cultura ou da iniciativa privada.

Uma reforma mais ampla, arquitetônica e cultura também está prevista. O prefeito explicou que este trabalho ainda está sendo planejado.

O secretário de Turismo, Marcus Israel, informou que há um interesse em recuperar o caráter histórico de Garopaba, investindo na reforma e sinalização de diversos casarões antigos e engenhos centenários.

(Fonte: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18§ion=Geral&newsID=a3151936.xml acessado em 23/12/2010)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Inscrições Prorrogadas: "XII CIDADE REVELADA" e "I ITAJAÍ PORTA DO VALE"



Devido problemas técnicos nos sites dos eventos “XII Cidade Revelada” e “I Itajaí Porta do Vale”, a Fundação Genésio Miranda Lins prorroga as inscrições para apresentação de comunicações e painéis até o dia 14 de novembro.
Os interessados em participar apenas como ouvintes também já podem realizar suas inscrições.

Participe!

Inscrições:
www.portadovale.itajai.sc.gov.br
www.cidaderevelada.itajai.sc.gov.br

Maiores informações: cidaderevelada@itajai.sc.gov.br ; portadovale@itajai.sc.gov.br
Fone/fax: (47) 3349 7573

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Provérbios em Alemão


A Associação Cultura Popular de Blumenau fez uma parceria com o Curso de Licenciatura Alemã da FURB e inauguraremos na próxima quinta-feira, dia 14 de outubro às 20h, no Salão Angelim da Biblioteca Universitária, a exposição de Provérbios em Alemão.
A mesma permanecerá aberta gratuitamente para visitação, até dia 27 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 7 às 22h e sábados das 8 às 17h.
Convidem seus amigos e familiares e venha conferir a pesquisa desenvolvida por Marion Bubeck, Cristiane Zoethe e Sylvio Zimmermann Neto.

Taiana Haelsner
Produtora Cultural e Presidente da Associação Cultura Popular de Blumenau

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Campanha busca ressaltar a importância histórica e cultural da Sociedade Cultural Alvorada de Gaspar



SALVEM O ALVORADA!

Esta campanha tem por finalidade levantar a importância histórica e cultural da Sociedade Cultural Alvorada de Gaspar. Por muitos anos o espaço foi utilizado pela sociedade gasparense e da região para grandes eventos e festas e sempre prestigiado por muitos cidadãos. A arquitetura embelezava o início da rua pricipal da cidade, Coronel Aristiliano Ramos. Porém, hoje percebemos a falta de cuidado com o espaço que poderia ser melhor utilizado para fins culturais.
Gaspar, é carente de espaços culturais, não tem teatro, não tem cinema, não tem museu, não tem arquivo histótrico, não tem galeria de arte, etc. Será que um espaço tão bem localizado, com uma arquitetura ainda um pouco conservada, com um espaço apropriado não pode abrigar alguns ou vários desses equipamentos culturais?
Seja para os jovens nas apresentação das bandas, seja para mostrar trabalhos artísticos ou para apresentações teatrais, seja para receber grandes nomes da música ou para mostrar talentos gasparenses? Logicamente que há necessidade de uma reforma muito grande para voltar a ser o que era, reestruturar e garantir o patrimônio que é do nosso povo. Me pergunto: onde estão todos os documentos, fotos, registros, atas e tudo o que fez a história das nossas famílias durante décadas? Será que se perdeu? Ou foi "perdido"? Acredito que sejam alguns "poucos" estejam se beneficiando da situação e se sentindo donos do espaço. Penso que a sociedade que existia com os seus fundadores e com seus ideiais já se foi, e agora só resta pouco, ou nada. Um lugar tão importante para nossa história não pode ser usado apenas para festinhas, cafés e diversão. Pense nisso!
Se você é a favor de que o Clube Alvorada seja resgatado, reestruturado e vire um centro Artístico-Cultural que Gaspar não possui, escreva para o e-mail cultura@gaspar.sc.gov.br , colocando o nome, cidade e RG, dedolvendo ao destinatario e e encaminhando a todos que puderem.

Ver também: http://www.cruzeirodovale.com.br/index.php?internautas-iniciam-movimento-para-salvar-o-alvorada&ctd=9470

(Crédito da imagem ao Jornal Cruzeiro do Vale, via Google)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Abertas as inscrições para caminhada na Vila Itoupava



Estão abertas as inscrições para a 1ª Caminhada Ecológica Cultural da Vila Itoupava, que ocorre dia 29 de agosto, em um domingo. O percurso, que pode ser feito a pé ou de bicicleta, iniciará na Sociedade Serrinha, na Rua Hermann Hein, na Vila Itoupava, às 8h. As inscrições são limitadas até o dia do evento, através do site oficial do evento (http://www.vila.tur.br/), na Secretaria de Turismo, no Comercial Kobs ou no próprio local.

O percurso terá cerca de 10 quilômetros, com dois pontos de água e frutos ao longo do passeio. No local, os participantes poderão adquirir por R$ 10 um kit com direto a camiseta do evento, água, fruta e bolsa ecológica. O valor recolhido será revertido para a implantação de uma sinalização permanente do roteiro da caminhada.

(Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/transitonovale/?topo=52,2,18,,159,e159 acessado em 11/08/2010)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Prefeitura lança fascículos contando história de patrimônios tombados



A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento, lançou uma série de fascículos chamada “História Concreta, o Resgate do Patrimônio Cultural Edificado de Blumenau" com fotos e informações sobre patrimônios culturais tombados no município.

De acordo com Stella Maris Nicoletti, gerente de patrimônio histórico, a continuação dos fascículos deve ser lançada a cada dois meses. “O objetivo é a divulgação cultural e a importância da preservação desse patrimônio”, explica Stella.

O primeiro volume é dedicado às igrejas tombadas e as páginas dos fascículos ficarão disponíveis no prédio central da Prefeitura, para que a comunidade possa conhecer e completar sua coleção.

(Fonte: http://www.blumenau.sc.gov.br/gxpsites/hgxpp001.aspx?1,1,28,O,P,0,PAG;CONC;54;3;D;2927;1;PAG;MNU;E;52;1;MNU;, acessado em 06/08/2010)

domingo, 1 de agosto de 2010

Falso Enxaimel

Matéria do Jornal de Santa Catarina do dia 23/07/2010 | N° 11999

ENXAIMEL


Uma

deturpação,

um fingimento,

apenas um

cenário

Roberto Burle Marx, artista

plástico e arquiteto paisagista,

em entrevista ao Santa

em 1980, quando veio a Blumenau

e considerou o falso

enxaimel como “um aborto

da arquitetura”



É válido construir réplicas?

Prédios que ignoram técnica original ressurgem no Centro

O mosaico formado pelas tábuas na parede e as floreiras nas janelas saltam aos olhos dos turistas pelo detalhismo do enxaimel no Centro de Blumenau. Pena a paisagem ser ilusória. O cenário que procura retratar a arquitetura da época da colonização se multiplicou na década de 1970, após a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) pela prefeitura aos que construíssem a fachada semelhante à técnica construtiva em enxaimel. A lei foi revogada em 1994, mas atualmente o falso enxaimel reaparece nos prédios públicos, como na nova sede dos Correios e nos projetos dos novos prédios da Justiça Federal e da Câmara de Vereadores. O que diferencia o genuíno do falso está no básico: a construção. O enxaimel original consiste na construção feita com o travejamento de madeiras. Essas estruturas são preenchidas com tijolos ou taipas.

Programado para ser concluído em outubro, o novo prédio dos Correios, instalado na esquina das ruas Curt Hering e Padre Jacobs, está sendo construído com a fachada enxaimel. A pretensão ao optar pela réplica, justifica a estatal, é homenagear a herança cultural da região. O argumento é o mesmo dos responsáveis pelos projetos da Justiça Federal e da Câmara de Vereadores.

Secretário de Turismo, José Eduardo Bahls de Almeida acredita que a retomada das fachadas no Centro da cidade ajudam a fortalecer o turismo.

– O enxaimel faz parte da nossa história e os turistas gostam de ver e fotografar. Mas é importante perceber que mesmo na Alemanha as edificações já têm estilo moderno, o que é gratificante para o turista – avalia.

Especialistas criticam homenagem à cidade com falso enxaimel

Entretanto, levantar edifícios com a técnica enxaimel original não é inviável. Especialista na técnica, o carpinteiro Paulo Roberto Volles calcula o custo médio de R$ 1,2 mil para cada metro cúbico construído.

Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Furb, Yone Yara Pereira critica a homenagem à cidade por meio do falso aspecto da técnica enxaimel nos prédios públicos.

– Não cabe mais para uma cidade moderna o resgate falso da tradição. O falso enxaimel é só um cenário, ilusão. Por que usar o falso para as pessoas admirarem se uma arquitetura moderna e ousada também atrai o olhar dos turistas? – questiona.

Numa ótica diferenciada, os prédios da Justiça Federal e da Câmara de Vereadores também pretendem resgatar o enxaimel na fachada. A diferença nas duas construções, no entanto, está na adoção de uma leitura moderna da técnica, com a implantação de vidros e estruturas em alumínio, em vez de madeira e tijolos.

cristian.weiss@santa.com.br

CRISTIAN WEISS

segunda-feira, 28 de junho de 2010

RAÍZES NEGRAS

Grupo da UFSC procura desvendar presença de africanos na Ilha de Santa Catarina entre o final do século 18 e começo do 19

Pouco se sabia sobre a presença de africanos no cotidiano da Ilha de Santa Catarina entre o final do século 18 e o início do século 19. Essa situação vem mudando a partir de uma relevante pesquisa coletiva envolvendo professores e alunos do curso de História da UFSC, que estão desvendando a presença de africanos, tanto escravos quanto libertos, na economia e na vida da Ilha de Santa Catarina. O estudo, coordenado pela professora Beatriz Gallotti Mamigonian, teve financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica do Estado de Santa Catarina (Fapesc).


No trabalho, o grupo busca avançar em relação a pesquisas anteriores que denunciam a invisibilidade do negro e se preocupam em demonstrar sua presença em Santa Catarina. Um dos principais objetivos da investigação é quantificar e qualificar a presença de africanos no litoral catarinense. Para isso, é preciso dialogar com trabalhos sobre escravidão em outras partes do Brasil e no Atlântico.

A escravidão na Ilha de Santa Catarina foi por muito tempo percebida como doméstica e menos importante do que a escravidão dos engenhos de açúcar, dos cafezais ou das charqueadas. Os agricultores açorianos foram rotulados de pobres. Trabalhos recentes sobre a produção de gêneros para o abastecimento e sobre o comércio transatlântico de escravos inspiraram o novo olhar sobre os escravos em Florianópolis e do litoral catarinense.

O grupo de historiadores da UFSC fez uso de vários tipos de documentos, mas, principalmente, registros de eclesiásticos de batismo, óbito e casamento. O levantamento dos registros de batismo dos africanos recém-desembarcados, em geral jovens ou adultos, mostrou que o auge da chegada de negros na Ilha aconteceu entre 1808 e 1830, coincidindo com a dinamização da economia do Sudeste desencadeada pela chegada da Corte portuguesa ao Brasil.

Esses africanos iam trabalhar nas propriedades rurais, que produziam farinha de mandioca, açúcar, feijão, milho, cachaça e outros produtos básicos de abastecimento. Quatro em cada 10 famílias do Ribeirão da Ilha, em 1843, tinham escravos. Em geral, até cinco. Eles complementavam a mão-de-obra familiar dos agricultores, muitos descendentes dos primeiros açorianos.

A freguesia da Lagoa da Conceição era um verdadeiro celeiro, lá se cultivava de tudo. Também com a ajuda de escravos, muitos deles africanos, o que indica que seus proprietários não eram pobres, pois um escravo africano era caro. Os agricultores da Ilha compravam negros dos comerciantes do Rio de Janeiro e pagavam com farinha, cachaça…

Depois de 1830, a chegada de africanos diminuiu muito por causa da proibição do tráfico. A população escrava cresceu pelos nascimentos, e ficou mais crioula. Mas ainda assim havia muitos africanos, de toda parte: da Costa da Mina (atual Benin), do Congo, de Angola, de Benguela, de Moçambique. Muitos se identificavam pelos nomes dos portos onde foram embarcados, outros chegavam a usar nomes de “nação”, como Agumi, Cassange ou Nagô. E como em todas as partes do Atlântico, incorporavam suas manifestações culturais ao cotidiano de trabalho duro. Alguns viajantes estrangeiros que estiveram aqui na época do Natal testemunharam grandes festejos africanos no início do século 19.

A Desterro dos escravos e libertos

Até hoje, o Centro de Florianópolis guarda construções, espaços e símbolos da Desterro do tempo da escravidão. A professora Beatriz conta que costuma organizar, para alunos de graduação e professores da rede de ensino, visitas guiadas na região central, que ajudam a entender um pouco aquele tempo em que aproximadamente um quarto da população da cidade era composta por escravos.

Uma em cada quatro pessoas era propriedade de alguém e trabalhava para o proprietário (ou proprietária – havia muitas mulheres proprietárias também) apenas em troca de casa, roupa e comida. Nesse cenário, se destacam a Igreja Matriz (Catedral) onde eram batizados os africanos novos, e as crianças filhas de escravos e libertos, e a Igreja do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, uma irmandade que congregava tanto africanos quanto negros nascidos no Brasil, chamados, à época, de crioulos.

Segundo a professora, os participantes da visita guiada percorrem as ruas e praças em busca da vida cotidiana dos escravos e dos libertos, suas atividades de trabalho, seus locais de moradia e lazer. Visitam, também, as sedes do poder da época –, a Câmara, onde também funcionava a cadeia, e a sede do governo da província – que tinham influência sobre suas vidas. Depois da independência do Brasil, o espaço social ocupado pelos africanos se restringiu.

Na Constituição do Império (1824), só são reconhecidos como cidadãos aqueles indivíduos nascidos no Brasil. Escravo, por definição, não era cidadão, mas uma vez alforriados, os crioulos passavam a ser reconhecidos como cidadãos brasileiros, enquanto os africanos libertos ficavam num limbo, sem cidadania. Em Desterro, as festas de coroação de reis, que eram ocasiões festivas da comunidade africana aceitas no período colonial, passaram a ser proibidas por postura da Câmara. Os batuques e danças, também.

Em outros lugares do Brasil, os africanos eram tantos que ficava mais difícil impor a proibição. Aí entra a especificidade de Santa Catarina: como a província recebeu tantos imigrantes europeus, a população negra ficou com pouco espaço para defender seus costumes e direitos.

A visita pelo Centro da capital catarinense estimula a imaginação dos participantes. Poucas pessoas que passam, hoje, a caminho do Terminal Cidade de Florianópolis, indo pela Praça Fernando Machado, sabem que ali ficava o primeiro mercado da cidade, inaugurado em 1850. O Mercado mudava muita coisa: várias africanas libertas viviam do trabalho de quitandeira, outros escravos vendiam alimentos e comida em tabuleiros e entregavam a renda aos seus donos, gente que cultivava roças trazia os produtos para vender.

Enquanto, antes, a venda se fazia em barraquinhas, nas canoas ou em panos estendidos no chão, a construção do Mercado buscava dar ordem para o comércio de gêneros e controlar o trabalho daqueles que viviam disso, muitos deles escravos e libertos. Quem vendia tinha que pagar aluguel do espaço, e taxa para a Câmara, e o fiscal controlava que não houvesse no Mercado ajuntamentos e batuques.

As pesquisas não param… e ainda há muito a se revelar da história dos negros no litoral catarinense. Para o pesquisador, é como se ele puxasse o fio que entrelaça um sem-fim de histórias. Mas além disso, a pesquisa estimula o olhar crítico sobre a realidade, leva a pensar que o espaço em que vivemos tem história. E que pessoas de diferentes partes do continente africano contribuíram para ela também.

jacqueline.iensen@diario.com.br

JACQUELINE IENSEN - Diário Catarinense - 26 de junho de 2010 | N° 8848

(Fonte: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2950478.xml&template=3898.dwt&edition=14971&section=1323 acessado em 28/05/2010).

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Iphan instala escritório técnico no Vale do Itajaí

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan deu seqüência às ações do projeto Roteiros Nacionais de Imigração, em Santa Catarina. Entre os dias 7 e 8 de junho, o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, acompanhou comitiva que visitou alguns dos 16 municípios que integram o projeto. Na ocasião foi instalado o escritório técnico do Iphan no Vale do Itajaí, que deverá dará suporte às regiões de imigração em Santa Catarina e prestará assessoria também aos estados vizinhos para que possam iniciar ações semelhantes ao projeto do estado catarinense.

Contando com a parceria da Prefeitura Municipal, o escritório do Iphan será sediado na cidade de Pomerode, no centro cultural, que está sendo instalado no antigo complexo industrial Weege, uma das dezenas indústrias de queijos e embutidos que existiu da região de imigrantes – desativada ainda na década de 1990.

Na segunda-feira (7) o grupo visitou algumas propriedades rurais de Pomerode e Indaial, dentre as quais destacam-se a Casa Wacholz – tombada pelo Iphan – e a Casa Comercial de Warnow – tombada pela Fundação Catarinense de Cultura, órgão estadual de proteção do patrimônio. Os imóveis receberam investimento do Instituto para restauração, o que possibilitou um uso adequado das edificações que se encontravam desocupadas há quase dez anos. Na casa Wacholz, que já faz parte do principal roteiro turístico de Pomerode, a proprietária instalou uma pequena pousada, o que representará um incremento na renda da família de produtores rurais. A Casa Comercial de Warnow, em Indaial, terá uma parte ocupada pela Fundação Indaialense de Cultura, que desenvolverá, no local, atividades que integrarão os Roteiros. Além disso, o proprietário já voltou a morar na edificação, conforme a tradição deste tipo de imóvel, que possuía uso comercial no térreo e residencial no piso superior.

À noite, o grupo se reuniu em Timbó com prefeitos, secretários e representantes dos municípios de Blumenau, Indaial, Timbó, Pomerode, São Bento do Sul, Itaiópolis, Joinville, Rio dos Cedros e Rio do Sul para apresentar a nova equipe técnica que, a partir deste mês, trabalharão com exclusividade no projeto. Além disso, o Iphan anunciou também a contratação de equipe de quatro consultores da UNESCO que deverão auxiliar as prefeituras municipais a traçar seus planos estratégicos para a efetivação dos compromissos assumidos pelo termo de cooperação, que vigora até 2012. Dentre as ações acordadas entre governo federal, estado e municípios está a criação de leis municipais de proteção do patrimônio, de fundos municipais de preservação, a estruturação de roteiros turísticos, a criação de centros de recepção de visitantes e venda da produtos tradicionais e o estímulo à pequena propriedade rural de base familiar. A expectativa é que o trabalho resulte no ingresso dos municípios no PAC das Cidades Históricas.

A equipe de técnicos deverá visitar todas as 63 pequenas propriedades rurais tombadas pelo Iphan com o objetivo de elaborar um Plano de Preservação para cada uma, com previsão de destinação de recursos que garantam a preservação dos bens protegidos e fomentem alternativas econômicas que possibilitem a sustentabilidade de cada propriedade.

No dia 8, o grupo seguiu para São Bento do Sul e Itaiópolis e visitou algumas propriedades rurais da Estrada Dona Francisca, onde o Iphan destinará recursos para a restauração da Casa Eichendorf, recém adquirida pela Prefeitura, prevendo a instalação do centro de comercialização de produtos tradicionais da região. A visita se encerrou em Itaiópolis, na pequena localidade de Alto Paraguaçu, comunidade constituída por imigrantes poloneses. Em 2008, o Iphan adquiriu um dos imóveis tombados do núcleo, a Casa Polaski, que estava abandonada há vários anos e corria risco de desabamento. Com a parceria da prefeitura municipal e da Associação Polonesa, o Iphan deverá instalar no imóvel um centro de recepção de visitantes e comercialização de produtos tradicionais, além de albergue para receber excursões escolares.

O termo de cooperação assinado em 2007 pelos municípios, juntamente com Ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Turismo, SEBRAE-SC e Governo do Estado, para desenvolver ações conjuntas de preservação do patrimônio da imigração no Estado.

(fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=15177&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia . Acessado em 11/06/2010.)

Patrimônios reconhecidos pela Humanidade

O IPHAN desponibilizou um infográfico que mostra imagens e informações dos patrimônios reconhecidos pela UNESCO no Brasil.

Acesse: http://www.iphan.gov.br/campanha/

Email recebido de Martha Vidor

Caros amigos Ricardo e Darlan,
Quero parabenizá-los pela idéia, pela concepção do projeto, pelo tempo despendido na elaboração dos trajetos, pelo material cuidadosamente preparado e pela oportunidade de participar do "Patrimônio em Movimento".
Com certeza, meu olhar nunca mais será indiferente ou apressado...
Agradeço em meu nome e no de todos os companheiros de caminhada, esperando que novos trajetos estejam a espera de nosso entusiasmo e do clic! de nossas máquinas...
Um grande abraço
Martha Vidor

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Exposição fotográfica

Exposição Fotográfica do Patrimônio em Movimento na quarta feira, dia 09 de junho, no salão Angelin na Furb. Prestigie!


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Tradição ucraniana em exposição no Espaço da Cultura Popular, em Blumenau



Informação repassada pela colega Taiana Haelsner. Prestigiem!!!!





"Caros amigos, gostaríamos de contar com a participação de vocês na abertura da exposição. Teremos apresentação de dança ucraniana! Contamos com a divulgação.


Atenciosamente, Taiana Haelsner".

Tradição ucraniana em exposição no Espaço da Cultura Popular, em Blumenau - Mostra inicia no dia 02 de junho, na Fundação Cultural

Será inaugurada no dia 2 de junho, às 19h30, no Espaço da Cultura Popular da Fundação Cultural de Blumenau, a exposição "Pêssankas: ovos escritos, poemas imagéticos". O público terá a oportunidade de conhecer e adquirir as pêssankas produzidas por artesãos descendentes de ucranianos da comunidade de Iracema, distrito do município catarinense de Itaiópolis. A mostra ficará aberta até 31 de agosto.
A exposição é uma realização do Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart) da Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro (Acamufec), em convênio com o Ministério da Cultura no âmbito do Programa Mais Cultura, Prefeitura Municipal de Blumenau/Fundação Cultural de Blumenau e tem o apoio da Ong Cultura Popular, de Blumenau.
Tradição e religiosidade Pêssankas são “ovos escritos”. A palavra deriva do verbo pessati, que significa escrever. Nas pêssankas, cada traço, figura e cor têm significados especiais – por exemplo, as figuras de peixes remetem ao cristianismo, as de flores, ao amor e à felicidade, as de animais, como o cavalo, à riqueza e à saúde. O roxo, na pêssanka, é a cor da alta vibração e representa a fé e a confiança, o amarelo é a cor consagrada às divindades da luz - lua e estrelas – e simboliza pureza e luz, boa colheita e sabedoria, e assim por diante. Alguns desses símbolos são comuns em toda a Ucrânia; outros são específicos de determinada região daquele país. No Brasil, estão presentes na produção atual, conservando significados que expressam a intenção daquele que faz da pêssanka objeto para presentear parentes e amigos.
As pêssankas confeccionadas pelos artesãos de Iracema fazem parte dos costumes trazidos pelos imigrantes ucranianos que vieram para o Brasil no final do século 19, em busca de melhores condições de vida, e mantidos ainda hoje por seus descendentes. Entre esses costumes estão a língua, a culinária, a intensa religiosidade – são católicos do rito oriental – e o rico artesanato.
Em Iracema, existem variações no modo como as pêssankas são feitas. Uma delas é muito disseminada entre os moradores, que as produzem especialmente na Semana Santa. Ainda crus, os ovos são desenhados com cera de abelha derretida. Depois, cozidos em água misturada a pigmentos naturais ou artificiais. Em seguida, com um pano macio, a cera é retirada e, assim, as imagens inscritas com a cera se revelam. Juntas a outros alimentos, como manteiga, pães, lingüiça, toucinho, carne de porco assada, bolos e hrim – mistura de raiz forte, beterraba e temperos –, as pêssankas são levadas para a bênção do padre, que percorre toda a comunidade, visitando as residências onde as pessoas aguardam reunidas.Essas pêssankas são consumidas como alimento bento no café da manhã do domingo de Páscoa.
Outra modalidade de pêssanka presente em Iracema é produzida principalmente por Célia Miretki e suas aprendizes. São ovos não-comestíveis e que servem como amuleto contra infortúnios, desastres e problemas de saúde. Podem conter a clara e a gema ou serem esvaziados, como vem acontecendo atualmente. Sua técnica de produção envolve um processo de ocultamento e revelação, pois as camadas de cores vão se sucedendo aos desenhos com cera de abelha, até o ovo estar completamente enegrecido. É o calor da chama da vela que derrete a cera aplicada e revela as imagens ali impressas.
Maurício Linécia, natural de Iracema, hoje residindo em Curitiba (PR), inovou a produção de pêssankas acrescentando novos materiais e técnicas. Utiliza ovos de madeira torneados e ovos de avestruz esvaziados, recobertos por tinta acrílica e fina camada de verniz. A técnica utilizada por Maurício também utiliza a superposição de cores, mas contraria o processo de visualização da técnica tradicional, pelo qual as imagens sofrem um processo de ocultamento e posterior revelação. Nas mãos do artista, as imagens se revelam a cada momento, pincelada a pincelada, em um processo de construção plenamente visível, extremamente minucioso e delicado.
Reedição de mostra de mesmo nome realizada em 2008, na Sala do Artista Popular do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Rio de Janeiro, a exposição "Pêssankas: ovos escritos, poemas imagéticos" se constitui como ação do Promoart. O Programa desenvolve ações com a finalidade de criar uma rede de apoio aos produtores de artesanato tradicional atuando em questões que vão da produção à comercialização em grandes centros, de modo a minimizar as barreiras que dificultam e, por vezes, até mesmo impedem a livre expressão de artistas e artesãos.



Serviço


Exposição "Pêssankas: ovos escritos, poemas imagéticos"Espaço da Cultura Popular / Fundação Cultural de Blumenau, SC


Rua XV de Novembro, 161 - Centro, Blumenau, SC


Inauguração: 2 de junho, às 19h30Exposição e venda: De segunda a sexta-feira, das 8 às 12h e 13h30 às 17h30; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Apoio: ONG de Cultura Popular de Blumenau

Cristiane Soethe Zimmermann Presse Comunicação EmpresarialFone: (47) 3041-2990 / 9943-2992http://www.presse.inf.br/

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Prefeitura revitaliza Praça Champs Elisse I, na Velha


(25/05/2010-16:40)
Prefeitura revitaliza Praça Champs Elisse I, na Velha

A Prefeitura, por meio da Secretaria de Serviços Urbanos, está revitalizando a Praça Champs Elisse I, na rua Alfredo Rodrigues, transversal da Jorge Lacerda, bairro Velha.

As obras incluem, além dos serviços de retirada de entulhos e limpeza geral, a instalação de um novo parquinho, implantação da pista de caminhada e melhorias no sistema de iluminação, mobiliário e ajardinamento. O investimento é de R$ 40 mil, com recursos próprios da Prefeitura e a entrega está prevista para a segunda quinzena de junho. Além da Praça Champs Elisse I, outros locais da cidade também já foram beneficiados.

A Praça Dom Pedro II, na rua Hermann Hering, bairro Bom Retiro, recebeu drenagem, implantação de calçadas, novo mobiliário, playground, ajardinamento, drenagem, mobiliário e melhorias no sistema de iluminação. O investimento foi de R$ 35 mil e a entrega ocorreu em abril deste ano.

A Praça Raphael Luciani, na rua Hermann Tribess, bairro Tribess, também foi beneficiada, recebendo novo parquinho, mobiliário, drenagem, implantação de calçadas e ajardinamento. A obra foi entregue no começo deste mês e somou R$ 20 mil.

Outra Praça revitalizada foi a da rua Ricardo Persuhn, na Itoupava Norte, que teve melhorias no mobiliário e no parquinho, além da implantação do sistema de ajardinamento, da pista para ciclismo e dos passeios. A obra foi entregue no inicio de maio e teve investimentos de R$ 25 mil.

Repórter: Julia Voigt
(Fonte: http://www.blumenau.sc.gov.br acessdo em 26/05/2010)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Informações e regulamento para exposição fotográfica do Projeto


O Projeto “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade” prevê como última etapa de sua execução, uma exposição fotográfica com imagens produzidas pelos participantes durantes as três caminhadas.

A comissão julgadora, composta por Daiana Schvartz (artista visual), Viegas Fernandes da Costa (escritor e historiador) e Charles Steuck (fotógrafo) fará a escolha de 15 imagens que representem a temática “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”.

Assim, estamos solicitando aos participantes da caminhadas, que fizeram registros fotográficos, que enviem suas fotos para seleção. A exposição acontecerá no mês de junho, no Salão Angelim, na Biblioteca Central, Campus I, FURB.

Regulamento para exposição fotográfica:

1. Cada participante de uma ou mais caminhadas (Rua São Paulo, Rua Sete de Setembro / Rua São José / Rua João Pessoa e Ruas Centrais) poderá enviar até 05 (cinco) fotos para avaliação da comissão julgadora.

2. As 05 (cinco) fotos enviadas serão as mais representativas para você de todo sua participação nas caminhadas. Lembrando que elas devem focar a temática central do projeto: Projeto “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”.

3. Sua participação é gratuita e as fotos serão reveladas com recursos do projeto.

4. As fotos (preferencialmente, em alta resolução) poderão ser encaminhadas de duas maneiras. A) Através do e-mail patrimonioemmovimento@gmail.com; B) Gravadas em um CD/DVD e entregues no Centro de Memória Universitária – CMU (FURB – Campus I – Biblioteca Central – Nível 6, aos cuidados de Darlan Jevaer Schmitt) ou no Departamento de História, em um envelope (FURB – Campus I – CCHC – Bloco R – sala 109, aos cuidados de Ricardo Machado).

5. As fotos serão aceitas até o dia 27/05/2010 (quinta-feira).

Outro pedido é a doação de suas imagens para o acervo do Projeto “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”. Estas imagens serão encaminhas, junto com todo material gráfico produzido, ao Arquivo Histórico José Ferreira da Silva e a Gerência de Patrimônio Histórico - SEPLAN, e estarão a disposição de pesquisadores para futuras pesquisas.

Elas são muito importantes para o projeto, pois representam um momento histórico e um olhar particular dos espaços visitados.

Estas fotos poderão ser entregues até o dia 11/05/2010. Está imagens poderão ser entres em um CD/DVD ou encaminhadas por e-mail nos endereços já citados.



Como em outros momentos do projeto, esperamos a participação de todos nesta etapa!!!!

As dúvidas sobre os procedimentos e os ajuste necessários para cada particularidade, poderão ser sanadas através do e-mail ou nos telefones (47)9625-5077 (Darlan) ou (47)9142-4746 (Ricardo).

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Patrimônio em movimento no Santa por Wania Bittencourt

19/05/2010 | N° 11942

CULTURA

Caminhos do tempo

PROJETO PATRIMÔNIO EM MOVIMENTO MOSTRA TRANSFORMAÇÃO DAS RUAS DE BLUMENAU EM ROTEIROS GUIADOS

A história de Blumenau passa pelos olhos de seus moradores e visitantes em uma média de 60km/h. É através do vidro dos carros que adultos, jovens e crianças enxergam prédios novos, antigos, carros, bicicletas, pedestres. Como o acelerador é mais rápido que a percepção, poucos param para compreender o que visualizam. Mas é este olhar mais atento que os historiadores Ricardo Machado e Darlan Jevaer Schmitt pretendem aguçar na população através do projeto Patrimônio em Movimento. Durante três finais de semana, eles guiam os participantes pelas principais ruas da cidade e lançam um olhar crítico sobre a história em constante transformação.

O projeto esteve nas ruas São Paulo, 7 de Setembro, São José e João Pessoa e, no próximo final de semana, circulará na Rua XV de Novembro e arredores. Antes disso, Patrimônio em Movimento ofertou oficinas de formação e, em junho, pretende montar uma exposição de fotos produzidas pelos próprios participantes, na tentativa de compreender os elementos que compõem o cenário urbano, como ruas, casas, monumentos e, claro, as pessoas.

– Elas poderão avaliar e refletir sobre esses elementos e compreender o que ganhamos e o que perdemos com a transformação desses espaços. Compreender o que fizemos com nós mesmos e com a sociedade – explicar Machado.

Entre as transformações que afetaram a relação com o patrimônio está o uso do automóvel no lugar de outras formas de locomoção. Como efeito colateral, casas residenciais que antes eram construídas próximas à via, agora, afetadas pelo barulho, precisaram ser reinventadas, transformando-se em espaços comerciais. Da mesma forma, a relação entre comunidade e rua se alterou em busca de segurança e privacidade. As janelas estão em sua maioria fechadas e quase não se vê ninguém nas sacadas de casas antigas. A maioria dos locais de socialização são fechados e a rua perdeu o seu caráter de espaço para troca de ideias.

Outras mudanças também podem ser notadas. Na Rua São Paulo, por exemplo, com o encerramento dos trabalhos da oficina da estação ferroviária e do porto, o espaço precisou rever a função de fluxo comercial para servir de ligação entre o Sul e Norte da cidade. A 7 de Setembro ganhou mais visibilidade após a construção do shopping na década de 1990. E a Rua João Pessoa mantém seu caráter residencial. Detalhes como estes podem ser conferidos pelo público que participar da caminhada (confira roteiro na página 2).

Tombamento

Quando se fala de história, compreender a função de prédios antigos – alguns deles tombados – é essencial, mesmo que a questão não seja o foco central do projeto. De acordo com Schmitt, o Patrimônio em Movimento não possui uma visão saudosista. Tem a intenção de refletir sobre o uso dos espaços:

– Não adianta tombar se não tiver reconhecimento público do que ele representa.

Segundo os historiadores, a escolha do que será preservado passa por uma decisão política. E, de acordo com o projeto, “lembrar e preservar significa também esquecer e destruir”. Ou seja, há uma escolha sobre o que será lembrado. Um exemplo é a política de tombamento que favorece a preservação do que está no Centro para, depois, avaliar os bairros. Em função disso, a Rua XV de Novembro é a que possui mais prédios preservados pelo patrimônio histórico, um total de 36.

wania@santa.com.br

WANIA BITTENCOURT



19/05/2010 | N° 11942

CULTURA

CULTURA

CONFIRA AS PRINCIPAIS RUAS APRESENTADAS NO ROTEIRO DE CAMINHADAS DO PROJETO PATRIMÔNIO EM MOVIMENTO




Rua XV de Novembro

Localizada próxima ao antigo porto, sempre foi a principal via de ligação da cidade, especialmente na época em que não havia a Beira-Rio e a Rua 7 de Setembro era limitada. Em função disso, no espaço foram levantadas imponentes construções que, no entanto, passaram por processo de modernização após a Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, por se localizar no coração da cidade, é a rua que possui mais prédios tombados, em níveis nacional, estadual e municipal. A maioria é datado do começo e meados do séculos passado. Curioso é reconhecer que encantantamenro dos turistas não se dá por meio dos prédios protegidos pelo patrimônio histórico, mas através das construções da década de 1970 e 1980 que, na verdade, imitam a técnica do enxaimel, trazida pelos colonizadores, na tentativa de reinstalar o caráter germânico à cidade. Fotos antigas da Rua XV e da região do Biergarten também mostram que as pessoas costumavam aproveitar o espaço público como lazer, algo que pouco ocorre atualmente.

Rua São Paulo

Sede de um antigo porto do Rio Itajaí-Açu e da antiga oficina da Estrada de Ferro Santa Catarina, a Rua São Paulo sempre foi um espaço de grande circulação de pessoas e tinha hotéis e casas comerciais. No entanto, com o fechamento do porto e o fim a estrada de ferro, a rua precisou se reinventar e se transformou em uma das principais vias de acesso automobilístico para a região norte da cidade e à BR-470. A mudança na forma de usar a via interfere na relação entre comunidade e patrimônio. Prédios construídos na beira da estrada, por exemplo, ganham um outro olhar e uma diferente valorização imobiliária, tornando-se comerciais ou, como na foto, esquecidos no tempo.

Rua Amadeu da Luz e Rua São José

A Rua São José foi durante muito tempo um prolongamento da João Pessoa e, assim como a via principal, servia de ligação entre o Bairro da Velha com a região central de Blumenau. A Amadeu da Luz, por sua vez, ainda possui casas bastante antigas, datadas de 1911 e 1927, o que demonstra que o espaço era usado para habitação, integrando-se à vida cotidiana da cidade.

Rua João Pessoa

Peculiar, a Rua João Pessoa, desde seus primórdios, possui um caráter residencial, que se mantém até os dias de hoje. A forma de construção dos prédios, com dois andares, indica a existência inicial de famílias que viviam do comércio. Em geral, elas moravam na parte superior da casa e mantinham algum comércio na parte inferior. Seu caráter residencial é mantido por ser a principal conexão entre o Centro (Rua 7 de Setembro) e o Bairro da Velha, essencialmente residencial. De acordo com os historiadores, até hoje o espaço conserva um conjunto de casas antigas, que apresentam elementos arquitetônicos importantes para Blumenau.

Rua 7 de Setembro

Três momentos importantes marcaram as transformações na Rua Sete de Setembro. Nos primeiros anos, a via servia de acesso aos depósitos das casas de comércio da Rua XV de Novembro e raros eram os casarões residenciais – alguns, inclusive, ainda existem. Foi somente na década de 1950, após a construção da rodoviária na região central, que o espaço ganhou mais movimentação popular. Por fim, na década de 1990, com a construção do shopping, a rua se valoriza ainda mais, marcando outro traço da sociedade, que é a reunião para trocar ideias em espaços fechados e não mais na rua.





terça-feira, 18 de maio de 2010

Imagens da Caminhada na Sete de Setembro, São José e João Pessoa

Foto: Daiana Schvartz


Foto: Ricardo Machado


Foto: Ricardo Machado


Foto: Ricardo Machado


Foto: Ricardo Machado


Foto: Daiana Schvartz

Foto: Daiana Schvartz



Email recebido do Boos, da ABC

.Bom dia à todos !!
Puxa, que interessante !
Coincidentemente também estou organizando uma pedalada pela região central de Blumenhau com o mesmo objetivo.
Os participantes que não tiverem bicicleta poderão se inscrever gratuitamente no site www.mobilicidade.com.br para reserva. A saída será às 14hs da estação de bicicletas do Galegão e pretendemos visitar o Parque Municipal São Francisco, Museu da Familia Colonial, Cemiterio dos Gatos e Museu Fritz Muller.
Após a inscrição no site, o interessado deverá confirmar a presença pelo email wboos@ig.com.br .
Aos organizadores da caminhada meus parabéns. Blumenau carece de iniciativas como essa pois noto uma vontade bastante grande de pessoas procurando esse tipo de lazer.
Saudações cicloviárias
Wilberto Boos
Sec.Exec. da ABC
(www.abciclovias.com.br)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ESTÃO ABERTAS NOVAMENTE AS INSCRIÇÕES PARA CAMINHADA 03 DO PROJETO “PATRIMONIO EM MOVIMENTO: HISTÓRIA, MEMÓRIA E CIDADE"

Estão abertas as inscrições para a terceira (última desta etapa) caminhada do projeto “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”. Ela acontecerá neste próximo sábado, dia 22/05 com um roteiro proposto pela região Central de Blumenau, tendo início às 15hs na Praça Marechal Mascarenhas de Morais (conhecida como Praça da Fonte Luminosa, próximo ao Terminal Urbano da Fonte). O objetivo é percorrer todo trajeto selecionado, fazendo registros fotográficos, reflexões históricas e interações com o ambiente.

Para se inscrever envie e-mail para patrimonioemmovimento@gmail.com com o assunto “Inscrição para Caminhada Centro”. A inscrição é fundamental para a participação no evento e para o envio do material de apoio, bem como para a confecção de declarações de participação.

Terceira Caminhada “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”
Início: 15hs
Término: 18hs
Ponto de Partida: Praça Marechal Mascarenhas de Morais (conhecida como Praça da Fonte Luminosa, próximo ao Terminal Urbano da Fonte)


CONTAMOS COM SUA PARTICIPAÇÃO!!!!!

terça-feira, 11 de maio de 2010

ESTÃO ABERTAS NOVAMENTE AS INSCRIÇÕES PARA CAMINHADA 02 DO PROJETO “PATRIMONIO EM MOVIMENTO: HISTÓRIA, MEMÓRIA E CIDADE”

Em função das chuvas do último fim de semana (08/05), transferimos a Caminhada 2 para o próximo dia 15/05.

Assim, novamente estão abertas as inscrições para a segunda caminhada do projeto “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”. Ela acontecerá neste próximo sábado, dia 15/05 com um roteiro proposto pela região da Rua 07 de Setembro, Rua São José e Rua João Pessoa, tendo início às 09hs na Entrada do Shopping Neumarkt (na Rua 07 de Setembro). O objetivo é percorrer todo trajeto selecionado, fazendo registros fotográficos, reflexões históricas e interações com o ambiente.

Para se inscrever envie e-mail para patrimonioemmovimento@gmail.com com o assunto “Inscrição para Caminhada Rua João Pessoa”. A inscrição é fundamental para a participação no evento e para o envio do material de apoio, bem como para a confecção de declarações de participação.

Segunda Caminhada “Patrimônio em Movimento:história, memória e cidade”
Início: 9hs
Término: 12hs
Ponto de Partida: Entrada do Shopping Neumarkt (na Rua 07 de Setembro)

A próxima caminhada terá com roteiro a região central da cidade (Rua XV de Novembro) no dia 22/05.

CONTAMOS COM SUA PARTICIPAÇÃO!!!!!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

CANCELADA A CAMINHADA DESTE SÁBADO

CANCELADA A CAMINHADA DESTE SÁBADO, DIA 08 DE MAIO!

Todas as previsões consultadas indicam chuva para a manhã de sábado, o que inviabilizaria a realização da caminhada. Por isso, optamos por cancelar a atividade neste sábado, transferindo para o próximo sábado, dia 15, no mesmo local e horário.


As inscrições já realizadas estão garantidas. Ao longo da próxima semana, será feita nova divulgação da atividade.

Certos de sua compreensão,

Ricardo Machado
Darlan J. Schimitt
Coordenadores do Projeto.

domingo, 2 de maio de 2010

INSCRIÇÃO PARA CAMINHADA 02 DO PROJETO “PATRIMONIO EM MOVIMENTO: HISTÓRIA, MEMÓRIA E CIDADE”

Estão abertas as inscrições para a segunda caminhada do projeto “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”. Ela acontecerá neste próximo sábado, dia 08/05 com um roteiro proposto pela região da Rua 07 de Setembro, Rua São José e Rua João Pessoa, tendo início às 09hs na Entrada do Shopping Neumarkt (na Rua 07 de Setembro). O objetivo é percorrer todo trajeto selecionado, fazendo registros fotográficos, reflexões históricas e interações com o ambiente.

Para se inscrever envie e-mail para patrimonioemmovimento@gmail.com com o assunto “Inscrição para Caminhada Rua João Pessoa”. A inscrição é fundamental para a participação no evento e para o envio do material de apoio, bem como para a confecção de declarações de participação.


Segunda Caminhada “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”
Início: 9hs
Término: 12hs
Ponto de Partida: Entrada do Shopping Neumarkt (na Rua 07 de Setembro)

A próxima caminhada terá com roteiro a região central da cidade (Rua XV de Novembro) no dia 15/05.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Oficina - Patrimônio Cemiterial



O Grupo de Estudos Cemiteriais Interditus, juntamente com o Departamento de História da Fundação Universidade Regional de Blumenau – FURB convida para a Oficina:

“O inventário como instrumento de proteção de bens culturais”

Ministrante: Elisiana Trilha Castro – Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História - UFSC

Dia: 17/04/2010
Local: FURB –Campus I – Sala G 006
Horário: 9:00 hs


Programação:


1) Manhã – 09:00 hs (Vagas ilimitadas)

Temas:
Debatendo o tema geral – Cemitérios
Cemitérios e patrimônio cultural
Intervalo
Discutindo o inventário
Discutindo iniciativas e ações

Horário previsto para o término: 12:00hs.

2) Tarde – 13:30 hs (Nº de vagas: 15 participantes)

Saída a campo:
o Instrução de levantamento cemiterial.

Cemitério da Santa Cruz. Rua José Reuter – Bairro: Velha Central (lado esquerdo – Fundos da Igreja)
Cemitério da Velha Central – Rua José Reuter – Lado direito em frente à Igreja.

*O Grupo Interditus não disponibilizará deslocamento até os locais de visitação.
*Os participantes deverão providenciar prancheta, caneta e máquina fotográfica.
As inscrições poderão ser feitas através do e-mail: interditus@hotmail.com
PARTICIPE!!!!!!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Saiu no Santa!!!




Jornal de Santa Catarina, 12/04/2010 - coluna Informa, p. 03.

http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1129,2869304,14475

II Seminário de Patrimônio Agroindustrial: Lugares de Memória (SSPA2010)

INSCRIÇÃO DE TRABALHOS ABERTA!

http://www.arquitetura.eesc.usp.br/sspa/apresentacao/

O Primeiro Seminário de Patrimônio Agroindustrial, Paisagens Culturais – realizado em Mendoza (Argentina), em maio de 2008 – teve como foco as paisagens e as rotas culturais do vinho, café, açúcar e outros produtos agrícolas. Foi uma iniciativa de pesquisadores latino-americanos dedicados à preservação e à valorização desse patrimônio. Assim, esse primeiro evento pode contribuir para promover o conhecimento das experiências de recuperação e salvaguarda desenvolvidas recentemente, como também a divulgação dos avanços alcançados no campo das pesquisas acadêmicas relacionadas. Reuniu, especialmente, gestores e investigadores vinculados à temática das paisagens da produção agroindustrial, da arquitetura e do turismo cultural, provenientes da Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Espanha e México.
O Segundo Seminário de Patrimônio Agroindustrial: Lugares de Memória (SSPA2010), que ocorrerá em São Carlos em outubro de 2010, se propõe a dar continuidade à reflexão, debate e divulgação de pesquisas e de experiências vinculadas ao tema, realizados na primeira edição. Busca manter o centro de análise nas paisagens e rotas culturais ligadas à agroindústria, porém incorporando também uma ênfase nas representações e na organização e interpretação de informações e ampliando os setores de produção contemplados. O evento proposto espera atrair um número mais expressivo de pesquisadores brasileiros de modo a melhor integrá-los ao debate latino-americano sobre o tema. Trata-se de evento de âmbito internacional que visa ampliar o espaço de discussão do patrimônio agroindustrial, aprofundando o conhecimento das práticas e lugares a ele associados, bem como avaliando resultados de programas e projetos de intervenção.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

INSCRIÇÃO PARA CAMINHADA

INSCRIÇÃO PARA CAMINHADAS DO PROJETO “PATRIMONIO EM MOVIMENTO

Estão abertas as inscrições para a primeira caminhada do projeto “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”. Ela acontecerá neste sábado, dia 10/04 com um roteiro proposto pela região da Rua São Paulo, tendo início às 09hs na Praça dos Músicos (antiga “Gaitas Hering”). O objetivo é percorrer toda a extensão da rua até o Praça Victor Konder (Praça da prefeitura), fazendo registros fotográficos, reflexões históricas e interações com o ambiente.

Para se inscrever envie e-mail para patrimonioemmovimento@gmail.com com o assunto “Inscrição para Caminhada Rua São Paulo”. A inscrição é fundamental para a participação no evento e para o envio do material de apoio, bem como para a confecção de declarações de participação.

Primeira Caminhada “Patrimônio em Movimento: história, memória e cidade”

Início: 9hs

Término: 12hs

Ponto de Partida: Praça dos Músicos (antiga “Gaitas Hering”)



As próximas caminhadas terão com roteiro Rua João Pessoa/Rua Sete de Setembro no dia 08/05, e região central da cidade (Rua XV de Novembro) no dia 15/05.

Maiores informações envie um email para:

patrimonioemmovimento@gmail.com

domingo, 4 de abril de 2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

INSCRIÇÃO PARA OFICINA DE FOTOGRAFIA BÁSICA

Olá,

Temos vagas para a Oficina de Fotografia Básica marcada para o dia 27/03/2010, das 14:00hs as 18:00hs (Sala G-001, Campus I - FURB), com o fotógrafo Charles Steuck.

Dispomos de 10 vagas!

Serão contemplados os 10 primeiros e-mails para patrimonioemmovimento@gmail.com com o assunto “Inscrição para Oficina de Fotografia Básica”.


Maiores informações: patrimonioemmovimento@gmail.com

terça-feira, 23 de março de 2010

4º Seminário Internacional em Memória e Patrimônio

4º Seminário Internacional em Memória e Patrimônio - disponíveis editais para mesas e comunicações.
O Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas promoverá, entre os dias 22 e 24 de setembro de 2010, o 4º Seminário Internacional em Memória e Patrimônio, que terá como tema “Memória, Patrimônio e Tradição”. Entre os palestrantes estarão os professores Daniel Fabre (EHESS/LAHIC-CNRS/França), Gaetano Ciarcia (Université Montpellier; LAHIC/França), Juan Carlos Radovich (UBA/Argentina) e Paulo Costa (Instituto de Museus e Conservação, Ministério da Cultura/Portugal). Até 30 de março estarão abertas as inscrições de mesas temáticas propostas por pesquisadores das áreas afins e de comunicações. Mais informações em: http://ich.ufpel.edu.br/simp

Comissão organizadora do 4º SIMPMestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural / ICH - UFPel

quarta-feira, 17 de março de 2010

Enxaimeloso

Texto do escritor Maicon Tenfen em sua coluna no Santa:


Enxaimeloso

Em certa altura da crônica de ontem, escrevi algo em torno de um certo “pseudogermanismo que nos empurram goela abaixo”. Leitores me perguntaram o que quis dizer com “pseudogermanimo” e, mais importante, quem é que nos entope a garganta com esse negócio. Calma que me explico.
Na segunda metade dos anos 1970 – e aqui me baseio nas palavras do historiador Ricardo Machado – o poder público e as elites financeiras do município começaram a trabalhar mais conscientemente na construção de uma identidade local, tendência que na época era seguida por várias cidades e regiões do país. Não de todo má, a ideia era contrapor um jeito blumenauense de ser aos hábitos e costumes do resto do país.
Lógico que esse jeito blumenauense estaria ligado às origens germânicas de Blumenau, num movimento de autoafirmação que pretendia recuperar as tradições parcialmente quebradas ou corrompidas com a Campanha de Nacionalização dos anos 1930, que fechara jornais publicados em alemão e proibira o uso do idioma em locais públicos. Esse primeiro passo rumo à valorização das raízes germânicas me parece mais do que legítimo.
O problema é que a coisa rapidamente se transformou em caricatura, processo que se acentuou nos anos 1980 com a recriação de uma Oktoberfest feita para inglês ver. No mesmo período, surgiram as leis de isenção fiscal para os prédios de arquitetura europeia, o que gerou o símbolo máximo do pseudogermanismo, o falso enxaimel ou, como preferem alguns, o “enxaimeloso”. Somos falsos alemães, não apenas nas paredes, e celebramos isso, mas até aí nada temos de prejudicial.
Tudo muda, porém, quando esse conceito de pseudogermanismo se transforma em ideologia. Seja qual for a denominação partidária, os governantes se veem na obrigação de manter a fachada de limpeza, ordem e progresso, nem que para isso precisem varrer a “sujeira” para debaixo do tapete. Pior: por parte das autoridades e até mesmo da população que se encaixaria no modelo do alemãozinho trabalhador, há flagrante DISCRIMINAÇÃO – a afirmação é grave – das etnias e das manifestações culturais que fogem ao estereótipo. O recente descaso com o carnaval de rua de Blumenau é um exemplo do que digo.
Podem crer: não somos apenas esse desenho com suspensórios e pena no chapéu. Mas, em vez de consolar, a constatação gera uma pergunta incômoda: quem realmente somos?

terça-feira, 16 de março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Para Visualizar o filme Das Rad, visite o endereço abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=HMc9OJvo-9A&feature=related

quinta-feira, 4 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

V Congresso Internacional Patrimônio Cultural

O V Congresso Internacional Patrimônio Cultural, se realizará na cidade de Córdoba, República Argentina, de 6 a 8 de maio de 2010, organizado pelo Centro Cultural Canadá Córdoba, Argentina e pelo Museu Histórico da Universidade Nacional de Córdoba.
www.centrocanadacordoba.org

segunda-feira, 1 de março de 2010

Equipe multidisplinar começa a reerguer Paraitinga

Cidade do Vale do Paraíba destruída pelas chuvas vai ganhar centro de formação interdisciplinar para atuar na recuperação
A inundação da virada do ano produziu cenas dramáticas em São Luís do Paraitinga, no Vale do Paraíba, com a destruição de dezenas de imóveis tombados dos séculos 18 e 19. Depois de virar um canteiro a céu aberto para arquitetos, engenheiros, historiadores, arqueólogos e antropólogos empenhados na sua reconstrução, Paraitinga vai se transformar num centro de formação interdisciplinar para estudantes universitários.
Coordenado pelo professor de Urbanismo e Planejamento da Unesp José Xaides de Sampaio Alves, o projeto de ensino pretende levar a Paraitinga alunos de graduação e pós de cursos relacionados à reconstrução, como Arquitetura, História, Artes Plásticas, Engenharia e Museologia, entre outras carreiras. “Queremos, além de tudo, gerar um turismo técnico que incentive a economia local”, explica.
As lições de Goiás VelhoAlves participa de um grupo interdisciplinar da Unesp que propôs, na semana passada, desenvolver em Paraitinga ações em suas respectivas áreas. “Não é um trabalho com viés acadêmico, mas com certeza pode gerar um resultado científico.” Na equipe há desde professores da área de saúde, principalmente psiquiatras e psicólogos, dispostos a trabalhar com moradores traumatizados com a inundação, a especialistas de engenharia hidráulica, preocupados com a contenção de enchentes na cidade.O caráter interdisciplinar do trabalho desenvolvido desde a enchente não é uma exclusividade de Paraitinga. Segundo profissionais que trabalham com preservação, o conceito de patrimônio tem se ampliado nos últimos anos. “Isso engloba o meio ambiente, o edificado e também o imaterial e intangível”, afirma a historiadora Salma Saddi de Paiva, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de Goiás. O objetivo é reconstruir os prédios com tudo que se possa aproveitar, numa tentativa de manter sua “alma” – e de evitar transformá-los em fantasmas, que apenas lembrem o original. “O bem imóvel se perdeu, mas o que ele representa deve permanecer”, diz o arquiteto Leonardo Falangola, do Iphan de São Paulo.Para que o trabalho seja bem-sucedido, o envolvimento da população é essencial, explica a antropóloga Simone Togi. “Temos que fazer um levantamento do que representam essas construções, as relações com as manifestações culturais e, por meio de um olhar antropológico, entender como as pessoas sentem a reconstrução”, diz Simone, funcionária do Iphan de São Paulo.“Ao mesmo tempo, tudo isso é cal, pedras, tijolos e valores culturais”, afirma o arquiteto Sérgio Galeão. Ele levou a Paraitinga a experiência vivida como chefe do escritório técnico do Iphan em Pirenópolis, Goiás, onde a Igreja Matriz foi integralmente reconstruída depois de consumida por um incêndio em 2002.Assim como em Goiás, o foco principal dos especialistas em Paraitinga são igrejas: a da Matriz, do século 19, e a capela de Nossa Senhora das Mercês, do século 18. Técnicas de arqueologia estão sendo aplicadas no trabalho: lonas protegem pedaços de forro e vigas de madeira que ainda não foram retiradas dos escombros. Todo o material será peneirado. Apenas cacos de telhas e lama vão ser descartados.Um dos tesouros da capela foi salvo por um morador, que resgatou, do meio da lama, a imagem da Nossa Senhora das Mercês, do século 17. O restaurador João Dannemann, professor da Universidade Federal da Bahia, esteve no local e fez uma análise preliminar. “É uma peça rara, de barro cozido, mas com o interior maciço e argiloso, e não oco como se vê na maioria dos casos.
Segundo Dannemann, embora a premissa da reconstituição de peças religiosas seja chegar o mais perto possível do original, o processo não é somente técnico. “Tem de haver o apoio de uma contextualização histórica.” A santa passa por uma secagem natural, recomendada pelo restaurador – que espera a autorização do Iphan para começar a trabalhar na imagem.
Outro colaborador do Iphan, o arqueólogo paulista Paulo Zanettini, foi chamado emergencialmente para analisar a capela das Mercês e apresentou um projeto sobre a preservação de possíveis túmulos existentes na área. “Há uma lápide na igreja que indica que lá estaria enterrada uma benfeitora da capela, chamada Maria Antonia dos Prazeres.”O projeto de Zanettini, que aguarda o aval do Iphan, propõe estender a pesquisa arqueológica para toda a área de Paraitinga atingida pela inundação. “Em um local histórico como esse, é importante identificar a origem dos materiais e entender por que certas obras resistiram. Além disso, algumas pessoas estão intervindo nos imóveis sem critérios”, diz o antropólogo.
Pelos cálculos do Iphan, apenas o processo de resgate e seleção do material das pilhas de escombros levará cerca de seis meses. Paralelamente a isso, especialistas discutirão a técnica a ser utilizada na reconstrução, se vão adotar as originais das edificações – principalmente pau a pique e taipa de pilão – ou métodos modernos. Galeão diz que uma coisa é certa: a ênfase na segurança das edificações. “Os prédios serão idênticos, mas não se pode permitir que um templo caia duas vezes.”
Fonte: reportagem publicada no Estadão
Publicado em: 01/03/2010 (http://aber.locaweb.com.br/v2/noticia.php?IdNoticia=2259)